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Meu perfil BRASIL, Sudeste, Homem, de 26 a 35 anos MSN - blogdofelipe@hotmail.com |
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.: Créditos :.
CERCA
Quase todo mundo já traiu ou foi traído. Faz parte da vida e de todas as relações, sejam elas quais forem. Traição hoje virou item de série. Pode reparar: quantos amigos temos que não se cansam de contar as suas aventuras e puladas de cerca aos quatro ventos?
Tenho um problema com fidelidade sexual. Sou fiel aos meus amigos, aos meus conceitos, as minhas escolhas, mas quando o assunto é mais embaixo fico realmente sem saber o que fazer. Já traí e muito. Talvez por oportunidade demais, talvez por descaso do namorado do momento que sempre me deixava muito solto e, outras tantas por putaria mesmo e excesso de testosterona.
Não faço apologia de traição, de monogamia, de poligamia, de nada disso. Cada um sabe onde aberta o seu sapato. Mas também não recrimino e não julgo. Acredito apenas que hoje em dia muita coisa colabora com as puladas de cerca: celular, internet, maiores jornadas de trabalho, trânsito intenso, tudo serve de desculpa para dar uma metidinha extra-conjugal.
Como escapar de um mundo globalizado em que a oferta está em todos os cantos? O estagiário ao lado, o amigo do amigo, o cara do estacionamento, o entregador de malote, tudo parece conspirar para que o desejo se consume. O engraçado disso tudo é que por mais que você diga que namora e coisa e tal, a outra pessoa sempre diz que não é ciumenta e nem se importa. Mudaram-se os conceitos, estamos mais flexíveis ou somos quase todos sem vergonha mesmo?
E não me venham dizer que isso é prerrogativa de gay que não é não. A maioria dos meus amigos são héteros e quase todos traem namoradas e namorados, sem nenhum problema ou arrependimento.
Eu nunca tive caso extra-conjugal que durasse, quase todas as traições foram coisas de um ou dois encontros, mas isso não tira a minha culpa ou ameniza a minha falha. Se para quem acredita no conceito de que basta uma vez, então não terei perdão. Não sou hipócrita e sei onde erro. Só ainda não consegui saber onde fica o freio....mas ainda não desisti de encontrá-lo........
CASINHA BRANCA
Viajo muito devido ao meu trabalho e semana passada fui para uma cidadezinha no interior do país e me deparei com uma realidade bem distante da minha e que me fez pensar em várias coisas.
A cidade tem 8 mil habitantes, não tem edifícios, shoppings, cinema, teatro e nem semáforo. Tudo muito pacato, tranqüilo e qualquer informação acerca de alguma pessoa ou lugar você encontra com todos os moradores.
Embora diferente do meu mundo, do stress diário que a vida moderna nos impõe, me incomodou o fato de estarmos todos no mesmo país e termos modos de vida tão dispares.
Fiquei pensando: como é ser gay numa cidade dessas? A cidade exala preconceito e isso vem de criação. Coitado do menino que se descobre gay. O que fazer? Não tem o vendedor do shopping que te paquera, não tem a boate para você ir, isso sem falar muitas vezes na falta de condição financeira que impede que se conheça a cidade mais próxima.
Ninguém se assume numa cidade assim por dois motivos: ou se vira chacota da cidade inteira e passa a ser o “viadinho”, ou, vira-se travesti e cai na prostituição.
E o menino então que é gay, tem que sair dali e fazer sua vida na cidade grande e, como não tem grana se resvala para prostituição ou permanece ali, casa, tem filhos e bate punheta pensando no Zé da Venda, salvo raríssimas exceções.
Ao final do dia, ao pegar a estrada de volta, percebi mais uma vez o quanto é boa a minha vida e poder fazer dela o que quero, mas me angustia e muito saber que um carinha de 30 anos como eu naquele lugar ainda tem alguns sonhos que para muitos de nós são coisas rotineiras e, que para ele, os nossos sonhos são impossíveis.